A Alegria dos Peixes

 

 

“Chuang-Tzu e Houei-Tzu passeavam sobre uma ponte do rios Hão. Chuang-Tzu diz:

- Vede como as carpas passeiam completamente á vontade! Aí  está a alegria dos peixes.

- Não sois um peixe, - diz Houei-Tzu – Como sabeis o que constitui a alegria dos peixes?

- Não sois eu, - replicou Chuang-Tzu. – Como sabeis que eu não seio que constitui a alegria dos peixes?”

                                                                                                                   

                                                                                                                       (Chuang-Tzu, cap. XVII)

 

 

 

As realizações de alguns não são necessariamente compreendidas por outros. É o que ocorre com o Tao, que, embora seja o “justo meio” e o “equilíbrio perfeito”, não não deixa de ser um extremo enquanto objetivo. Nesse sutil domínio do saber, há aquele que vêem, há os cegos, mas inexistem caolhos.

 

Chuang-Tzu afirma sua independência em relação ao julgamento exterior e mostra a impossibilidade de ser e de pensar no lugar de outro. O caminho é solitário, não pode ser de outra forma. Pra cada um o seu caminho, de acordo com sua natureza característica, que deve ser reconhecida e preservada.

 

 

“Os peixes vivem na água; os homens morrem na água. Isso porque os peixes e os homens são diferentes e suas necessidades elementares não são as mesmas. Por essa razão, os sábios da antiguidade não supunham que todos os homens tivessem a mesma capacidade...”

                                                                                                                         (Chuang-Tzu, cap. XVIII)

 

 

 

Texto extraído do livro “Os Mestres do Tao”, pág. 125 e 126 de Henry Normand – editora Pensamento

 

 

 

Henry Normand - 21/09/2009