A Origem do Homem a Luz da Matematica e da Ciência

 

Na matemática, diz Einstein, reside o principio creador. A matemática é, segundo ele, absolutamente certa, enquanto abstrata.

A matemática não é outra coisa senão a consciência da Realidade, que também se pode chamar Verdade, Lógica, Metafísica.  

  Segundo a matemática, o efeito não pode ser maior que sua causa: uma causa menor não pode produzir um efeito maior. O menor não pode conter o maior nem atualmente nem potencialmente. Quando o efeito maior parece ser causado por uma causa menor, então esse menor não é a causa, mas apenas uma condição, ou um veículo do maior.

Assim, por exemplo, uma semente não é a verdadeira causa da planta: um ovo não é a causa da ave, porque a planta ou a ave são maiores, mais perfeitos do que a semente ou o ovo. Neste caso, a semente ou o ovo são condições para o aparecimento da planta ou da ave, mas não são a sua causa.

A causa é sempre um agente intrínseco do efeito, ao passo que a condição é apenas um agente extrínseco.

Uma semente colocada sobre a mesa não produz planta, por sinal que não é a causa; mas, quando colocada em terra úmida com suficiente calor solar, brota em planta. Neste caso, é o próprio cosmos a causa, atuando pela semente, que é condição para a atuação da causa.

O mesmo se dá com o ovo: quando incubado, exposto à atuação da causa cósmica, produz a ave.

A chamada potencialidade é a idoneidade da condição para servir de veículo ou agente intermediário entre a potência e o efeito.

A potência é a verdadeira causa ou fonte do efeito, ao passo que a potencialidade funciona como condição ou canal para veicular o conteúdo da potência através da potencialidade rumo ao efeito.

Por exemplo: um encanamento não produz água, se não estiver ligado a uma fonte. O encana¬mento funciona como veículo intermediário entre a fonte e a torneira. Se houver no encanamento apenas uma tonelada de água, não pode sair da torneira mais de uma tonelada, nem que alargue¬mos a bitola do encanamento. Mas, se ligarmos o encanamento a uma nascente de água permanente, então podem sair da torneira milhares de toneladas, embora o encanamento seja apenas de meia polegada.

O maior erro que certas teorias chamadas científicas cometem sobre a origem do homem é um erro fundamental de matematicidade: admitem essas teorias a possibilidade de um efeito maior produzido por uma causa menor. Todos admitem que o homem é algo maior do que o mais perfeito dos animais. Se dermos ao homem o grau 100, e ao animal mais perfeito o grau 50, não podemos admitir que o 100 do homem tenha vindo do 50 do animal.

Um dos mais conhecidos escritores modernos, Erich von Daeniken, acha tão impossível derivar o homem do animal, sem assassinar a lógica e a matemática, que concebeu a idéia fantástica de que o homem foi trazido de outras regiões do Universo pelos deuses astronautas.

Em face desta absoluta impossibilidade matemática, certas teorias evolucionistas apelam para uma "potencialidade evolutiva" do animal. Esse apelo para uma suposta potencialidade evolutiva” é, na realidade, uma camuflagem, uma fuga para dentro das trevas da antimatematicidade e de um ilogismo absoluto.

Não existe nenhuma espécie de potencialidade que, por si mesma, possa produzir algo maior do que ela mesma. A potencialidade 10 nunca produzirá 20; a potencialidade 50 nunca produzirá 100, pela simples razão por que o maior não está contido no menor, nem explicitamente nem implicitamente. O homem 100 não está contido no animal 50, nem potencialmente nem atualmente, nem implícita nem explicitamente: admitir semelhante possibilidade é destruir toda a matemática, toda a lógica.

Dai se segue com absoluta certeza que o 100 da natureza do homem não veio do 50 da natureza do animal, que o animal não é a causa do homem.

O que aconteceu e o que a ciência provou e que o corpo humano fluiu através de corpos animais. Mas a verdadeira causa não está no corpo humano relativamente ao corpo animal. A diferença essencial está em outra parte. Há um abismo intransponível entre o corpo e a mente. Nunca um corpo se transformou em mente por seu próprio poder intrínseco — assim como nunca o 50 pode dar um 100 por virtude própria.

Se apareceu no homem algo essencialmente maior do que aquilo que existe no animal, esse maior não veio do corpo animal nem do corpo de homem, mas veio de alguma causa ou fonte essencialmente maior do que o corpo animal ou o corpo humano.

Essa causa ou fonte chamamos potência, que pode fluir através de potencialidades, canais ou condições.

Todas as potencialidades e todos os efeitos vieram da infinita potência do cosmos, da alma do Universo.

Esta matematicidade lógica vale não somente do homem, mas de todo e qualquer outro ser da natureza: todos os finitos vieram do infinito, embora um finito possa ter fluído através de outro finito.

A matemática afirma que todo o finito é causado pelo Infinito.

A ciência demonstrou que todos os finitos são condicionados ou veiculados por outros finitos.

Na matemática reside o princípio creador e na ciência está o processo evolutivo (ou criador). Creação e evolução são dois conceitos que se completam mutuamente: todos os finitos são creados pelo Infinito, e todos os finitos evolvem através de outros finitos.

Esta evolução de finito a finito seria impossível, se, no principio dessa cadeia evolutiva, não existisse o princípio creador — assim como as águas não podem fluir através do encanamento. se não há uma fonte inicial, anterior ao encana¬mento.
As potencialidades evolutivas supõem inexoravelmente uma potência creadora. A creação se manifesta parcialmente através da evolução. Não há evolução sem creação.

O homem veio do Infinito através de muitos finitos.

Certa teologia ensina que o homem veio diretamente do Infinito, sem ter fluido através de finitos — o que é contra a ciência.

Certa ciência admite que o homem veio somente de finito a finito — o que é contra a matemática.

A verdadeira filosofia, que é a perfeita síntese entre a matemática e a ciência, sabe que o homem, como aliás as outras creaturas, vieram do Infinito através de finitos.

A Filosofia Univérsica é a mais perfeita síntese entre o principio creador da matemática e o processo evolutivo da ciência.

 

Texto Extraído do Livro "Lúcifer e Lógos" de Huberto Rhoden - editora Alvorada

 

Huberto Rhoden - 23/09/2009