Energia e consciência
O movimento centrífugo (para fora) e centrípeto (para dentro) pode ser observado em todo universo físico. A explicação mais popular da astronomia para a criação do universo, a teoria do Big Bang, coloca a hipótese de que uma vasta explosão de um núcleo ou matriz central dispersou substância material pelo espaço. Remoinhos de massa dessa substância se acumularam para formar os corpos celestes, que formam galáxias, as quais se mantêm coesas graças á força gravitacional, que continuava a agir mesmo à medida que essas galáxias se afastavam do centro da explosão, a velocidades incríveis. O duplo movimento, de aproximação e afastamento do centro original, é repetido em todos os fenômenos que a humanidade já observou. Na anatomia humana, por exemplo, as células se expandem e se contraem, assim como os órgãos individuais, como o coração e os sistemas, como os intestinos e os pulmões. E assim acontece com todo o organismo humano. A substância básica da pessoa é a energia. O movimento da energia é a vida. Quanto mais livre o movimento da energia no interior de cada componente, para manter sua própria integridade e coesão, bem como de todo organismo, mais intensa a vida.
Imagine-se a pessoa como um microcosmo. Aos nossos olhos, tecidos e órgãos são “sólidos” e formam sistemas “sólidos” que, por sua vez, compõem nosso corpo “sólido”. Mas, como bilhões de entidades celestes no macrocosmo, os bilhões de células do organismo formam aglomerados de densidades variáveis no espaço. Sob uma ampliação de, digamos, quinhentas mil vezes, a pele humana pareceria um grupo de estrelas muito espalhadas; um osso, uma galáxia muito populosa; o coração, uma esfera celeste, e o corpo inteiro poderia sugerir o todo do macrocosmo. Novamente, como em todo universo, a energia de cada parte do corpo move-se interna e externamente, contraindo-se e se expandindo, pulsando para dentro, na direção do núcleo da parte, e para fora, em direção as outras partes e ao todo. Retomarei mais adiante esse processo pulsatório.
Assim, a energia, tanto a do cosmos como de toda existência quanto a do cosmos do organismo humano, move-se como fios d’água brotando de uma nascente. Os fios d’água formam riachos, os riachos formam rios, e os rios correm para o mar. Cada gota de água reúne-se a outras gotas, em cursos de água cada vez maiores, que se unificam finalmente no oceano. Da mesma forma, cada “gota” de energia humana mistura-se a outras “gotas”, para se unificarem finalmente no organismo. Uso aspas porque, na verdade, a energia flui sem divisões.
Essa energia viva não é apenas quantidade ou massa. Seu aspecto qualitativo, sua capacidade de direção tem consciência ou, na verdade, é consciência. A inteligência e harmonia da criação aponta para uma consciência que é, ao mesmo tempo, totalmente abrangente e minuciosamente específica. A organização de toda a existência manifesta-se no funcionamento energético de cada entidade, incluindo a homeostasis do indivíduo humano, quando seu ego coletivo não está desequilibrando os seus movimentos. O caos aparente de certos fenômenos naturais não depõe contra uma consciência unificada e unificadora. Muitas e muitas vezes a humanidade descobriu padrões elegantes em operações da natureza que uma geração anterior via como algo aleatório e caprichoso.
A proposição de que energia é consciência afirma e contradiz a discriminação clássica entre substância e forma. Cada entidade tem forma. Mas, mais do que isso, cada entidade é a sua própria forma. O fato de tomar “forma”, de ser um indivíduo identificável, vincula o ser ao que ele é, vincula o ser a seus atributos. Forma, massa, densidade, e todas as outras características, são definições derivadas, no fundo, do movimento da entidade no tempo e no espaço. A energia é esse movimento. Sua coesão em sua direção no espaço-tempo é a sua consciência.
Assim, tudo é consciência. Convencionalmente, se faz a distinção entre ordens orgânicas e inorgânicas de seres, sencientes ou não-sencientes e, depois, conscientes e não-conscientes. Essas classificações refletem a hierarquia de crescente complexidade encontrada no universo. Mas a consciência envolve toda unidade específica, da menor partícula subatômica, ainda a ser descoberta, até a totalidade do ser, o macrocosmo. Cada unidade tem uma função especial, um plano para preencher seu potencial, inerente ao seu ser.
Como cada partícula diminuta de vida sabe exatamente o que está fazendo, não é estranho afirmar que tenha em mente – uma razão, que compreende seu plano interior – e uma vontade que dirige suas ações em direção a esse plano. Se você planta uma sementezinha de maçã, por exemplo, ela se desenvolve e, em poucos anos, se transforma numa bela árvore, que dá flores e fruto, de acordo com seu plano interior. Assim como a energia, essa consciência interior também flui sem se dividir. A diferença entre a macieira e a pessoa, em termos muito simplificados, é que o ser humano sabe que sabe. Sua mente exterior, a razão e a vontade, combinadas com os processos mentais inconscientes, podem dirigir tanto o organismo quanto seu meio, coisa que a macieira não pode. Foi a partir dessa hierarquia da consciência na natureza, que o fenomenologista francês Teilhard de Chardin concluiu: “... a energia universal deve ser uma energia pensante.”
Texto extraído do livro “Energética da Essência” de John C. Pierrakos – editora Pensamento
John C. Pierrakos - 12/10/2009

