Árvores
Não deixes que eu me esconda de ti,
Mas partilhemos o alento da vida
Que nos deu nossa Mãe Terrena.
Mais bela que a jóia mais fina
Da arte do tapeceiro
É a alcatifa de folhas verdes sob meus pés nus;
Mais majestosa que o dossel de seda
Do rico mercado
É a tenda de galhos acima da minha cabeça,
Através da qual dão luz as estrelas faiscantes.
O vento entre as folhas do cipreste
Faz um som como de um coro de anjos.
Através do carvalho rugoso e do cedro real
A Mãe Terrena enviou uma mensagem de Vida Eterna
Ao Pai Celestial.
Minha prece endereça-se às árvores excelsas.
E seus ramos erguidos para o céu
Carregarão minha voz até o Pai Celestial.
Para cada filho plantarás uma árvore,
Para que o ventre da tua Mãe Terrena
Produza Vida,
Como produz vida o ventre da mulher.
Aquele que destrói uma árvore
Corta os próprios membros.
Assim cantarão os filhos da Luz,
Quando a terra voltar a ser um jardim:
Árvore Sagrada, dom divino da Lei!
Tua majestade reúne todos aqueles
Que se desgarraram do verdadeiro lar,
Que é o jardim da Irmandade.
Todos os irmãos voltarão a ser irmãos
Debaixo dos teus ramos desfraldados.
Como o Pai Celestial ama todos os filhos,
Assim amaremos as árvores e cuidaremos delas,
As árvores que crescem na nossa terra,
Assim as guardaremos e protegeremos,
Para que cresçam altas e fortes
E encham de novo a terra com sua beleza,
Pois as árvores são nossas irmãs
E, como irmãos,
Haveremos de amar-nos e guardar-nos uns aos outros.
Texto extraído Do Evangelho Essênio da Paz – editora Pensamento
Edmond Bordeaux Szekeley - 14/10/2009

