Os Mestres de Pantajali
Ninguém sabe ao certo quando nasceu Pantajali e quase nada se conhece de sua biografia. Talvez ele tenha vivido um pouco antes de Jesus, talvez um pouco depois. Mas com certeza ele veio ao mundo pelo menos cem anos depois de Buda porque seus escritos e lições de ioga, delineados mais destacadamente nos famosos Sutras de Ioga, estimularam o renascimento da prática iogue do hinduísmo tradicional alguns séculos após a revolução espiritual promovida por Buda. Essa revolução varreu a Índia cerca de quinhentos anos de Cristo.
Pantajali reviveu com entusiasmo a antiga tradição iogue da cultura hindu e ainda deu novo impulso meditativo a essa tradição, popularizando-a. Dezenas de influentes mestres religiosos surgiram nas gerações que se seguiram à inspiração inicial de Pantajali. Ainda hoje, inúmeros professores de ioga atribuem suas raízes meditativas a ele ou a seus discípulos.
No entanto, vale lembrar que Pantajali codificou e ampliou uma vasta tradição espiritual preexistente, que remonta a pelo menos dois mil anos antes da redação dos Sutras de Ioga. A Índia e as regiões circunvizinhas foram, quase certamente, o berço da tradição universal da meditação.
Imagine uma cultura espiritualmente (não materialista) embasada na qual a maioria das mentes brilhantes de cada geração, por séculos, aceitou como tarefa primária o desafio de observar, de dentro para fora, as operações da mente e do corpo, da alma ou do espírito humanos. Quando entramos em contato com a antiga tradição hindu de meditação, temos acessos às descobertas e à sabedoria acumuladas de centenas e milhares de seres humanos doutos e dedicados, que votaram suas vidas à observação interior utilizando como instrumento a própria consciência – para depois compartilhar o que descobriram com os contemporâneos e a posteridade.
Quando nos abeberamos nossa tradição iogue ao explorar a meditação respiratória, estamos tendo acesso ao mais completo estudo do fenômeno da respiração jamais conduzido. Estamos também participando da pesquisa contínua daquilo que acontece quando o poder da luz da consciência humana se concentra regularmente no ato mais rítmico do nosso corpo.
Texto extraído do livro “Sete Mestres um Caminho” de John Selby – editora Pensamento
John Selby - 18/10/2009

