Entrevista com Amit Goswami – Parte III

 

Heródoto Barbeiro: Nós voltamos hoje, aqui, no Roda Viva com o nosso convidado que é o físico indiano Amit Goswami, professor de física da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, que durante 32 anos mudou o foco de sua pesquisa para a cosmologia quântica e para as relações entre o corpo e a mente. Doutor Amit já publicou vários artigos e livros inclusive aqui no Brasil. A respeito de suas teorias, que buscam ponto de união entre ciência e espiritualidade, ele está respondendo hoje aqui no nosso Roda Viva.

 

[Vídeo]: O universo autoconsciente, A janela visionária, O médico quântico, A física da alma. No primeiro livro que Amit Goswami publicou no Brasil, ele contraria a idéia de que tudo é feito de matéria e estabelece uma nova visão de mundo onde a consciência, e não a matéria, é a base de tudo que existe. Em sua "janela visionária" defende um novo paradigma científico, no qual os valores humanos vêm em primeiro lugar. Como "médico quântico" traz as orientações de um físico para a saúde e a cura. E na Física da alma traça uma explicação científica para a reencarnação, a imortalidade e as experiências de quase-morte. Questões que Amit Goswami também levou ao cinema. Junto com outros nomes da ciência, falou de suas idéias no filme Quem somos nós?, que teve uma segunda parte depois: Quem somos nós? - uma nova evolução. Os dois filmes misturam ficção e documentário e procuram mostrar que a realidade, da forma como é percebida pelas pessoas em geral, é ilusória. Goswami diz que a realidade é algo que nós mesmos criamos e, portanto, podemos mudar. Os filmes foram sucessos de bilheteria nos Estados Unidos e Canadá. Também ganharam versão em DVD e foram distribuídos por quase todo o mundo, inclusive no Brasil.

[Trecho do filme Quem somos nós?]]

 

Heródoto Barbeiro: Dr. Amit, a alma humana tem consciência?

 

Amit Goswami: Essa é uma pergunta bastante sutil. Sim, a alma humana tem consciência, mas depende do que você chama de “alma”. Vamos esclarecer esse ponto. Eu pressuponho que você se refira à entidade sobrevivente após a morte. É isso mesmo? Se esse for o caso, então, depois da morte, as possibilidades não sofrem mais colapso tornando-se eventos reais. Então, tudo segue para o que chamamos de inconsciente, no nível das possibilidades. A consciência e a possibilidade estão lá, mas não há nenhuma conversão em curso de possibilidades em eventos reais. Tudo isso, portanto, é consciência? Sim, certamente, a consciência está lá, mas a alma é somente uma possibilidade ou um conjunto de possibilidades dentro da consciência.

 

Mônica Teixeira: Quais são as manifestações físicas da alma ou então disso que o senhor disse na resposta da primeira pergunta do Heródoto, a respeito da morte, que é essa perenização de interações quânticas após a cessação da consciência? Quais são as medidas físicas? Porque eu vou insistir: a física é sobre medir fenômenos, né?

 

Amit Goswami: Sim. Então, como encontrar um fenômeno que pode ser medido verificando a sobrevivência das possibilidades? Deixe, então, eu terminar a teoria. Ela não somente postula que as possibilidades sobrevivem, mas também que um certo tipo de modificação das possibilidades também sobrevive. Essas modificações acontecem porque, quando você parte desta vida, as nossas memórias, armazenadas no cérebro – este que está ligado ao funcionamento da mente e que consiste num dos componentes dos corpos sutis -, e o próprio funcionamento da mente são modificados. É assim que desenvolvemos um caráter individual e a individualidade. E são essas modificações da mente e dos corpos sutis como um todo que, então, sobrevivem à morte. Dessa maneira, é preciso mostrar que alguém pode manifestar essas modificações, esse caráter modificado. Existem, de fato, pessoas, chamadas de médiuns, que têm a capacidade de canalizar essas entidades descarnadas – essas almas, por assim dizer – e, quando o fazem, seu próprio caráter sofre uma mudança radical. Gilda Moura [psicóloga que estuda o mapeamento cerebral dos estados alterados da consciência], uma das pesquisadoras brasileiras, e Norman Don, um pesquisador americano, fizeram um experimento no qual revelaram que uma das pessoas que estava canalizando um médico cirurgião, Dr. Fritz [é a denominação de uma entidade espiritual que obteve renome mundial através de médiuns, curando pessoas com a chamada cirurgia espiritual].[ntre outros]nguas, tais como "vas como a medicina ayrevedaa em torno do sol e ns da a, enquanto o canalizava, houve um aumento da sua melhor freqüência de operação para além de 40 hertz. Esse tipo de freqüência é usado apenas por pessoas com altíssimos níveis de concentração, como um neurocirurgião, talvez um físico quântico, cientistas em geral, mas certamente não por um leigo, como era o caso do médium em questão. E, de fato, eles mediram e mediram e ele normalmente nunca operava a esse nível de alta freqüência beta. Então, as características fisiológicas mudaram e, obviamente, também as características mentais. Eu mesmo verifiquei tal fenômeno trabalhando com médiuns. Quando eles canalizam a entidade, eles são totalmente diferentes da maneira como normalmente vivem.

 

Mônica Teixeira: E esse tipo de resultado que o senhor está dizendo, ele nunca interessou a governos ou talvez à indústria bélica, no sentido de ser utilizado e transformado em objetos – vamos dizer– úteis seja para a guerra, seja para a vida cotidiana?

 

Amit Goswami: Os médiuns, aparentemente, têm sido muito úteis na vida cotidiana das pessoas, algumas das quais, sem eles, estariam em condições bastante miseráveis. Aparentemente, eles são grandes curadores. Acabei de escrever um prefácio de um livro maravilhoso de um médium chamado João de Deus, conhecido também como o médium João. Vive no Brasil, não muito distante daqui. E esse rapaz canaliza entidades tão amáveis, não apenas uma, mas diversas entidades, almas – mônadas quânticas na minha língua. E ele opera, faz curas maravilhosas enquanto canaliza essas amáveis entidades. As pessoas sentem o amor. E elas se curam de fato. E milhares e milhares de pessoas estão se curando na sua vida cotidiana.

 

Mônica Teixeira: Não, mas não é disso que eu estou falando, não foi essa a pergunta que eu fiz. Quero saber se esse fenômeno não interessou, vamos dizer, aos governos mesmo e à indústria, de maneira geral, no sentido de transformá-la em alguma coisa que pudesse, por exemplo, dar dinheiro. Por que não há esse interesse? Essas forças, essas energias, essas mudanças de freqüência não teriam utilidade tecnológica, esse que é o meu ponto?

 

Amit Goswami: Bem, você deve dar tempo a ele. Pois, recordemos que a termodinâmica foi descoberta um bom tempo antes de James Watt [(1736-1819), matemático, inventor da moderna máquina a vapor, que possibilitou a Primeira Revolução Industrial, cujo nome tornou-se mundialmente conhecido por denominar a unidade de potência de energia – watt] e outros produzirem o motor a vapor e assim por diante. Assim, meu livro A física da alma foi escrito em 2001. Apenas seis anos se passaram. Nós temos que esperar por algumas décadas. O motivo é a inércia atual da ciência normal, da ciência materialista, que é imensa. Muito investimento em bolsas de fomento está envolvido. Se eles tiverem de dividir essas bolsas com quem eles consideram vigaristas e lunáticos... Você sabe, leva muito tempo para se mudar uma mentalidade. Mas deixa eu ressaltar que, antes da introdução do nosso novo paradigma, nem mesmo a medicina alternativa recebia financiamentos de grandes investidores. Mas agora, nos EUA o governo tradicional, em nível federal, possui uma agência de fomento separada para a medicina alternativa. Então, estamos avançando. Não é verdade que não existam avanços. Mas, para coisas tão radicais como o aproveitamento dos médiuns e de entidades canalizadas, um pouco mais de paciência será necessária. Aliás, as pessoas já estão usando os paranormais, por exemplo, para procurar tesouros submarinos. Existem muitos incidentes com tais tesouros que remontam à Antiguidade. Como não se sabe onde estão, pois o oceano é muito vasto, usam-se os clarividentes e os paranormais para procurar por esses tesouros. E a taxa de sucesso é enorme. Outro exemplo são os rabdomantes [procura, por meio de uma varinha, de uma fonte ou de objetos escondidos. Adivinhação por meio de varinha mágica]. A procura de água subterrânea com varinha rabdomântica funciona de acordo com princípios da ciência alternativa e não há nenhuma explicação materialista. Ele opera de acordo com o princípio da nossa sensibilidade à energia vital da água. As pessoas usam rabdomantes rotineiramente. Qualquer um que estiver construindo uma casa grande ou uma grande construção e precisa de água na propriedade e não sabe onde cavar usa um rabdomante e encontra o local a ser cavado. E é enorme o sucesso de sua utilização. Essas são algumas das aplicações já colocadas em prática.

 

www.rodaviva.fapesp.br

 

 

 

Amit Goswami - 02/11/2009