A Importância da Satisfação no Trabalho

 

"Minha experiência clínica me leva a acreditar que aqueles que não gostam do que fazem são mais propensos a doenças sérias do que os que são felizes na profissão."
 
O trabalho deve ser realizado com veneração.
- Napoleon Hill
Vários são nossos atos, várias são as ocupações do homem. O carpinteiro deseja a madeira; o médico, a doença; Brama, um adorador que lhe oferece o corpo.
- Rig Veda
Vários estudos realizados nos mais diversos centros médicos indicam que as pessoas vivem mais e melhor se estiverem satisfeitas no trabalho. Passamos um terço da vida na profissão que escolhemos. A infelicidade no trabalho compromete toda a existência, tornando-nos mais propensos a doenças e à deterioração física.
A toda hora atendo em meu consultório pacientes com problemas que posso associar diretamente à insatisfação profissional. Simplesmente odeiam o que fazem, e passam todo o expediente nutrindo hostilidade, ressentimento e frustração, obtendo resultados pífios nas tarefas que executam e na vida em geral. Com o tempo, têm cada vez mais dificuldade em superar esses sentimentos, e descontam a insatisfação no fumo, no álcool e na comida.
O sono é perturbado pela incessante preocupação com o trabalho e com o prazer nulo que ele lhes oferece. Essas pessoas trazem o cansaço estampado no rosto, e se queixam de enxaqueca, palpitação, insônia, obesidade, hipertensão e ansiedade. Sentem-se e parecem biologicamente mais velhos do que na realidade são.
Minha experiência clínica me leva a acreditar que aqueles que não gostam do que fazem são mais propensos a doenças sérias do que os que são felizes na profissão.
Há alguma verdade na expressão "Sou ocupado demais para ficar doente". Portanto, a ociosidade não é a solução, pois noto que os indivíduos que perdem o emprego ou que padecem de desemprego crônico apresentam muito mais problemas físicos.
Seu corpo sofre da mesma atrofia que a natureza reserva ao seres que se tornam inúteis. O que é inútil morre logo. A natureza, inclusive a natureza interior do ser humano, não tem lugar para a inutilidade. Ela só promove a saúde daquilo que contribui para o crescimento e o progresso. Progredir é sobreviver.
Os fisioterapeutas e os preparadores físicos conhecem bem o fenômeno da atrofia oriunda da ociosidade, o desgaste do membro ou órgão que não é utilizado. Tão logo o membro afetado seja posto para funcionar, o processo se reverte.
O sangue começa a irrigar a região, que aos poucos se fortalece. Atividade, utilidade e progresso são fundamentais para a saúde e a longevidade. Emerson colocou muito bem a questão ao afirmar que "As pessoas não envelhecem; quando elas param de crescer, tornam-se velhas".
Seja útil. Contribua para o crescimento da vida. Quando ouvem este conselho, as pessoas concluem que estão na profissão errada; é possível que sim. Mas, em geral, a oportunidade de obter satisfação no trabalho foi envenenada por atitudes negativas.
Todo trabalho tem um propósito útil, pois sempre haverá alguém que o usará para crescer e evoluir. Em princípio, o trabalho é importante para sua função social, e os empregos existem para preencher necessidades concretas. Mas hoje o mais importante é a satisfação pessoal; não que as pessoas sejam atualmente mais egoístas que seus ancestrais. Elas apenas percebem que a utilidade básica do trabalho é a realização de si mesmo.
Aqueles que se sentem úteis não se deterioram nem ficam doentes. Nutridos pela satisfação pessoal, estão sempre prontos para fazer a coletividade prosperar. Contudo, é claro que a pirâmide de empregos é composta de uma enorme base de tarefas rotineiras e um topo estreito de atividades criativas. É do peso da rotina que meus pacientes se queixam.
O que tenho a dizer é que os trabalhos criativos tendem a ficar nas mãos das pessoas saudáveis, daquelas que são naturalmente capazes de conseguir mais, mas acho que sua postura positiva antecede e cria as oportunidades de promoção. Todo trabalho é repetitivo e exige disciplina. Aqueles que não têm consciência interior rapidamente chegam ao ponto em que a repetição de tarefas conduz ao tédio e à fadiga. Daí nascem todos os outros sintomas.
Pessoas confiantes encontram soluções criativas para a rotina do trabalho. Elas não têm o hábito de enumerar os aspectos chatos, cansativos ou repetitivos. Para começar, esses indivíduos têm coragem de procurar o trabalho de que gostam. Não se preocupam com a segurança material quando sua felicidade está em jogo. Quando encontram o emprego que os satisfaz, permanecem nele sem pensar na aposentadoria.
Isso acontece porque recebem do trabalho o que a vida tem a lhes oferecer: crescimento, progresso e prosperidade. Se você está desesperado para não fazer nada, isso significa que o trabalho o está matando. Se mal pode esperar pela aposentadoria, saiba que, no que diz respeito à felicidade profissional, já está aposentado.
Como médico, não posso ajudar meus pacientes a conseguir melhores empregos nem fazê-los gostar do trabalho que fazem. Posso apenas auxiliá-los temporariamente, aliviando os sintomas que apresentam.
Mas posso apontar a verdadeira solução conduzindo-os para a consciência saudável e espontânea de seu self.


Texto extraido do livro "Conexão Saúde" de Deepak Chopra - editora Best Seller

 

Deepak Chopra - 29/11/2009