Homeopatia

HISTÓRICO

                       A Homeopatia é uma doutrina médica, fundada por Cristian Frederic Samuel Hahnemann, médico alemão nascido em uma família modesta, na cidade de Meissen, na Saxônia, em 11 de abril de 1755, formando-se na Universidade de Leipzig e em Erlangen. Homem muito culto conhecia e dominava 14 idiomas, atuais e antigos, além de conhecer profundamente química, mineralogia, etc.. Possuía alta capacidade de análise crítica e juízo objetivo.

                       Descontente com os métodos empregados na sua época pela medicina tornou-se um pesquisador obstinado. Achava que deveria haver um meio de curar as doenças. Dizia ele: “Deus, o supremo criador de todas as coisas, deve ter colocado ao alcance do homem os recursos necessários para manter a sua saúde e livrá-lo do mal. É que o homem, pela sua fraqueza e ignorância de valores divinos da natureza, não consegue identificá-los”.

                       Devido a esta insatisfação, afastou-se da medicina por um tempo e passou a viver de traduções. Traduziu inúmeras obras, principalmente sobre assuntos médicos. Ao traduzir uma obra sobre o uso da Quina na febre malárica lhe assomaram ao espírito as primeiras idéias sobre a homeopatia (o princípio do semelhante curando o semelhante).

                       Em 1790, publicou em uma revista médica o resultado das suas experiências, com o título de “Ensaios de um novo princípio sobre as virtudes curativas das substâncias medicinais”. Era criada então a Homeopatia.

 

                       Os 3 princípios homeopáticos mais importantes são:

 

>Experimentação no homem são;

>Aplicação da lei dos semelhantes (princípio da analogia);

>O remédio homeopático produzido e ministrado em doses infinitesimais.

 

                      Em 1810 Hahnemann publica a 1ª edição do “Organon da arte de curar”, que é a sua obra fundamental. (é a nossa bíblia homeopática). Inclui nos seus ensinamentos o estudo profundo da ENERGIA VITAL e da compreensão do homem como um todo na sua constituição corpo e alma.

                      Em 1840 chegam ao Brasil os 2 primeiros médicos homeopatas, Bento Mure e Vicente Martins. Foram os médicos homeopatas que iniciaram aqui os passes magnéticos.

                      Hahnemann faleceu em 1843, em Paris.

                     Surgiu, portanto, a homeopatia como Doutrina Médica *, muito antes da codificação do Espiritismo, que é uma Doutrina de caráter científico-filosófico-religioso, codificada por Allan Kardec, e cuja obra fundamental – “O livro dos Espíritos” – surge na França, em 1857.

                      Estas diferenças de datas e locais de aparecimento, no entanto, não impedem que se descubram afinidades entre elas, afinidades essas mais evidentes naqueles pontos em que o Espiritismo toca os problemas biológicos, médicos e terapêuticos.

                      Diz Hahnemann no Parágrafo 9 do Organon, sua obra fundamental: “ No estado de saúde , a força vital ( autocrática) que anima dinamicamente o corpo material (organismo) governa com poder ilimitado e conserva todas as partes do organismo em admirável e harmoniosa operação vital, tanto com respeito às sensações como às funções, de modo que o espírito dotado de razão que reside em nós possa empregar livremente esse instrumento vivo e sadio para alcançar  e atender aos mais altos fins da nossa existência” .

Autocrático = poder absoluto e independente

Força vital = Energia Vital =  é um ser imaterial e ativo por si mesmo, presente em todas as partes do organismo. Todas as sensações nascem e todas as funções vitais se realizam por meio desse ser imaterial que anima o organismo, tanto no estado de saúde como no estado de enfermidade.

                      Para Hahnemann, o medicamento homeopático atua como catalizador que desperta energia, com mais força (energética) e menos matéria (processo de preparação do remédio homeopático, através de diluições sucessivas e dinamizações). Ao despertar a Energia, o remédio homeopático acelera as reações no organismo afetado, intensificando e elevando o seu quantum de vitalidade adormecida, ajustando o potencial psicofísico desarmonizado. A força vital do enfermo se equilibra e a harmonia física volta ao normal. Isso explica, em poucas palavras, o princípio da semelhança em sua aplicação terapêutica. Aceitando-se que o remédio homeopático possui valores similares à doença que se deseja curar, é necessário tentar demonstrar que ambos são da mesma natureza, ou seja, de caráter dinâmico-vibratório semelhante. Aceitamos que toda atividade biológica é um conjunto de fenômenos de origem vibratória.

                      Definimos a SAÚDE como um estado em que todas as funções psíquicas e somáticas estão em equilíbrio pela vibração harmônica dos seus componentes, produzindo a sensação de bem-estar.

                      Definimos a DOENÇA aguda como um desequilíbrio dessas funções, por desarmonia vibratória originada por agressões externas, químicas, físicas ou psíquicas. O organismo, assim afetado por um desequilíbrio de sua força vital, buscará um novo estado de equilíbrio biológico, que pode ser a saúde ou a seqüência de uma enfermidade crônica. *

                            A principal preocupação do médico homeopata é descobrir a origem da doença. Ele sabe que ali interferem fatores psíquicos, mentais e emotivos que provocam choques emocionais, geram desequilíbrio orgânico e então conduzem ao estado de enfermidade cuja remoção só é possível após o tratamento da causa  mórbida. Ele deve auxiliar o organismo com uma terapêutica suave e energética.

                      A função principal da homeopatia seria, embora sem provocar reações químicas violentas, despertar e potencializar as energias adormecidas, para então, elevar o padrão dinâmico dos órgãos afetados, reeducando-os em vez de violentá-los. Por ser um medicamento, nada mais do que um medicamento, o objeto da prescrição homeopática não pode pretender um crescimento pessoal total, moral e nem espiritual. A homeopatia não tem o poder de modificar a pessoa a esse nível.

 

A CURA PELO TRATAMENTO HOMEOPÁTICO

                   O indivíduo em desequilíbrio percebe as situações de vida de uma maneira deformada, “embaçada”. Á partir daí passa a sofrer por isso. Por ex.: se sente abandonado por todos, acha que ninguém o ama, passa a ter um ciúme arrasador, quando na realidade o outro não lhe deu um motivo real para isso; pode ainda apresentar sentimentos exacerbados de ódio, vingança, mágoas retidas, por motivos aparentemente inofensivos. Através deste emocional alterado passa a ter alterações físicas, devido ao seu desequilíbrio energético.

                   O remédio homeopático corretamente eleito vai fazer com que este indivíduo volte ao seu estado de equilíbrio e harmonia.  O indivíduo passa a perceber a mesma situação de vida de forma  diferente. A natureza dessa pessoa não se modificou, o que modificou foi a forma de vivenciar essa natureza, essa situação. Isso seria a cura, a transformação da pessoa, é um desencadear desse processo de busca de si mesmo, de busca de conhecimento. Quando conseguimos descobrir essa substância que tem afinidade energética com o paciente na natureza, conseguimos desencadear esse processo. Vamos estar curando a pessoa, e não necessariamente a sua doença crônica ou terminal. Essa pessoa pode até estar para desencarnar dentro de alguns dias. Ela não vai mais viver esses dias da forma deformada como havia vivido. Ela vai vivenciar isso de forma diferente. Nas aulas do curso de  homeopatia, costumávamos dizer, de forma até um pouco brincalhona, que o paciente morreria de sua doença, mas “curado”, homeopaticamente falando.

                   A  ação do medicamento homeopático não é de natureza material, química, mas sim de ordem energética, dinâmica. Decorre de algo que, no seu âmago, se encontra com a sua potencialidade de ação como que reprimida, necessitando para manifestar-se livremente em toda a sua plenitude de força, que a substância natural ( mineral , vegetal ou animal) que lhe serve de base à preparação seja submetida a um processo especial de “desmaterialização”, através das diluições sucessivas e fortes sucussões. É somente por sua ação dinâmica  sobre a força vital que os remédios homeopáticos deverão restabelecer, e de fato restabelecem, a saúde e a harmonia vital (parágrafo 11 do Organon). Ora, não podendo o remédio atuar diretamente sobre o organismo físico, dado que não tem massa material, mas somente dinamismo imaterial, e, no entanto atuam, é porque o fazem sobre outro elemento da mesma natureza que eles, imaterial e dinâmico*, em estreita relação com o organismo, de modo que toda ação sobre um repercute logo no outro. Dinamizamos os medicamentos exatamente para chegar à sua substância simples, isto é, à natureza essencial e ás qualidades mesmas das substâncias.

                   O Dr. Décio Landoli Jr, médico , integrante da AME-SP , diz em seu livro “Filosofia transdimensional”: As terapias que buscam a restauração dos fluxos energéticos, sua quantidade e qualidade, estão mais próximas da medicina curativa. Cirurgia, alopatia, homeopatia, acupuntura, cromoterapia, água fluidificada e passes, são formas de auxílio que agem em diversos pontos da porção material do homem, mas a cura verdadeira só ocorrerá quando deixar de existir a causa primária do distúrbio, ou seja, a correção das patologias da alma, dos sentimentos. O único que pode operar essa cura é o próprio indivíduo, no exercício do seu livre-arbítrio.

                   Richard  Simonett, num artigo em que traça um paralelo entre Paracelsus e Hahnemann, nos fala: “ assim como é possível curar o corpo , medicando o perispírito com a homeopatia, é possível mudar o Espírito, educando o Homem.

                   Bezerra de Menezes, no mesmo Jornal – “Não há cura para as nossas doenças da alma, quando nossa alma não se rende ao impositivo de recuperar a si mesma”.

 

 Dr.Ricardo di Bernardi