T.V.P. - Terapia de Vidas Passadas

 

1.       Um pouco de sua história

2.       A TVP em poucas palavras

3.       Quais os benefícios evolutivos?

4.       É indicado para que?

5.       É contra-indicado para que?

6.       Quem pode ser Psicoterapeuta de Vidas Passadas?

 

  

1. Um pouco de sua história

Não temos condições de saber onde, quando e quem a criou. Em experiências regressivas, pacientes relatam vidas noutros planetas e noutras esferas do cosmo, sendo, portanto, terapêutica multidimensional que ultrapassa os limites históricos restritos a existência do homo sapiens sapiens no planeta Terra. A TVP mostra evidências que a consciência existe a milhares de anos, podendo, pois, ser mais antiga que o próprio planeta. No entanto, pelos dados que temos, podemos construir um pequeno histórico para nos situar no tema, simplificando um pouco este tema.

A Terapia de Vidas Passadas nasceu junto com o ser humano. Desde a antiguidade utilizamos dos estados ampliados de consciência para que possamos acessar informações visando à evolução da consciência e a resolução de inúmeros tipos de problemas. Temos que os primeiros a usarem da “TVP” de forma intuitiva no planeta foram os aborígenes, os povos indígenas e nossos ancestrais que usavam de substâncias psicotrópicas e técnicas diversas para o transe e assim evocavam memórias do inconsciente visando à cura. Os antigos terapeutas eram chamados de “xamãs” sendo que, no xamanismo antigo as “vidas passadas” eram colocadas dentro de uma terapêutica mais ampla (“pajelança”). Encontramos nas obras de Carlos Castañeda, indícios de tal prática no processo complexo da “recapitulação”. As antigas culturas eram em sua grande maioria “reencarnacionistas” (teoria da palingenesia).

Assim, temos que historicamente a regressão a vidas passadas aparece pela primeira vez mencionada no Upanishads da Índia antiga, mas é discutido em maior detalhe no Sutra. Escrito durante o século II a.C, o Hindu Patañjali afirmava que a alma tem que arcar com um acúmulo de impressões que fazem parte do karma de vidas passadas. Patañjali chama ao processo de regressão a vidas passadas, prati-prasav (literalmente, "reverter o parto"), e envolvia o enfrentamento de problemas atuais através das memórias de vidas passadas. Prati-prasav é usado hoje como uma prática em alguns tipos de yoga. Assim, Patañjali pode ser considerado um dos pioneiros da TVP no planeta.

Na era moderna, foi a obra de Madame Blavatsky, Co-fundadora da Sociedade Teosófica, que trouxe uma nova popularidade, especialmente no Ocidente. Allan Kardec, fundador do Espiritismo, também investigou a regressão a vidas passadas em temas isolados em “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”. Diversos pesquisadores tem debruçado pesquisa neste campo, sendo que no ocidente o mais público defensor da comprovação da reencarnação é o médico Ian Stevenson, que recentemente deixou este planeta.  Terapia de regressão a vidas passadas tem sido desenvolvida desde 1950 por psicólogos, psiquiatras, parapsicólogos, terapeutas e médiuns pelo mundo afora. Tem sido integrada a outras terapias, como mesmo a Parapsicologia Clínica (Psicoterapia Evolutiva e Multiexistencial) e outras técnicas como a Psicotranseterapia, a Apometria e outros.

No entanto, o histórico da TVP é assunto pouco pesquisado e impreciso. Muitos a praticam e temos que hoje no mundo centenas e mesmo milhares de terapeutas estão praticando esta modalidade de terapia. E nisso reside um certo problema para a área. Estamos lidando com um campo muito delicado da mente humana. No entanto, o mundo conheceu tal área principalmente a partir dos trabalhos do médico americano Brian Weiss. No Brasil, um dos pioneiros foi o médico Eliezer Mendes, criador da Parapsicologia Clínica, nas décadas de 60/70/80. Atualmente temos centenas de obras da área, chegando a encontrar vários nomes para denominá-la: psicorregressão (Rosseti), terapia de retrocognição (Alegretti), psicotranse (Mendes), regressão de memória (Mendes), psicotranseterapia (Mendes), terapia de vida passada (Binder, Andrade, Brennan, Linn, McClain, Mello, Weiss, Centauro e outros), regressão a vidas passadas (McClain), psicoterapia reencarnacionista (Kwitko), regressão de idade (Kfouri), terapia de regressão hipnótica (Markham), dentre outros nomes. No Brasil temos várias sociedades atuantes, sendo que as mais relevantes encontram-se no exterior, tal como a International Association of Past Life Therapists. Atualmente muitos pesquisadores investigam o tema, tais como: Alegretti, Andrews, Araújo, Balona, Bowman, Carpenter, Cayce, Cerato, Cerminara, Chadwick, Eason, Finkelstein, Fiore, Goldberg, Guirdham, Gullo, Hall, Linn, McClain, Mishlove, Newton, O´Connell, Paulson, Peres, Schlotterbeck, Squire, Steiger, Steiner, Stenvenson, Sutphen, Talbot, toben, Trivellato, Vieira, Weiss e Whitton (dentre outros). Alegretti conseguiu reunir uma lista extensa de referências, chegando a 1157 obras complementares para investigação, sendo que a mais antiga achada foi de 1692. Portanto, como afirmei acima, o assunto é mais antigo que imaginamos.

 

2. A TVP: em poucas palavras

A “Terapia de Vida Passada”, como grande parte das pessoas conhece, processa um tipo específico de fenômeno parapsicológico, sendo aqui, a área da ciência mais afim, a Parapsicologia, no caso, Clínica e Experimental, assim como suas gêmeas, a Conscienciologia e a Projeciologia. O fenômeno “retrocognição” é a experiência de acesso ao campo mnemônico passado, antigo, podendo ser de vidas passadas (experiências onde o sujeito está “encarnado”), vidas passadas desencarnadas (experiências onde o sujeito está “desencarnado”) e vidas passadas projetadas (experiências onde o sujeito estava projetado para fora do corpo). O espectro é largo. A rememoração pode se dar em bloco ou em flashes, podendo ser parecido com um filme (consciente) ou com devaneios (semi-consciente). Nestas últimas rememorações, geralmente a pessoa tem dúvidas da realidade da experiência. O melhor estudo do assunto está na obra de Wagner Alegretti, chamada de “Retrocognições”. Nesta obra o autor aprofunda um pouco o assunto, colocando o fenômeno dentro de uma ótica mais ampla, sendo o primeiro livro publicado que aborda o assunto de forma mais clara e objetiva.

Existem diversas concepções que atravessam a TVP, pois várias são as crenças em relação as chamadas “ Vidas Passadas”. Muitos a inserem numa orientação espírita e mais religiosa, utilizando das obras espíritas para se fundamentar, como é o caso da Psicoterapia Reencarnacionista. Outros se valem de base Transpessoal para se ancorar, como é o caso das terapias de regressão baseadas nas idéias de Grof e Jung. Assim, entendo que a TVP por operar com fenômeno paranormal induzido na clínica, necessita de fundamentação Parapsicológica, ou a ciência que investiga tais fenômenos, na esteira de Eliezer Mendes. Ao compreendermos o fenômeno da Retrocognição podemos operar mais facilmente com os conteúdos acessados pelos pacientes. Hoje (2009), a abordagem mais ampla para se contextualizar os conteúdos retrocognitivos (regressivos) vindos dos pacientes em terapia, é a Projeciologia (estudos científicos sobre a experiência fora do corpo e toda fenomenologia projetiva) e toda a gama de pesquisa parapsicológica acumulada ao longo destes últimos 2 séculos de desenvolvimento. Os estudos clínicos realizados por Mendes são altamente relevantes para dar corpo a tal terapêutica (Psicotranse e Regressão de Memória; Personalidade Subconsciente e Personalidade Intrusa – Eliezer Mendes).

É necessário um profundo conhecimento da fenomenologia para se conseguir compreender o conteúdo altamente complexo que o paciente traz. Numa sessão de regressão, o paciente pode vivenciar uma gama de fenômenos, inclusive, fenômenos concomitantes com a regressão, como por exemplo, o processo do mediunismo (contatos com amparadores ou mentores extrafísicos e mesmo com assediadores do paciente), a percepção extra-sensorial, experiência fora do corpo e mesmo a precognição (também chamada de terapia progressiva por Weiss). O profissional precisa ter formação no campo Parapsicológico, seja de forma autodidata seja de forma institucional como temos pelo mundo afora. Necessita, antes de tudo, ter experiência pessoal no trato do fenômeno (passar por inúmeras regressões e terapias de regressão). Assim, o psicoterapeuta facilitador, para dar a melhor orientação durante as sessões precisa ter conhecimento para que possa captar as informações do amparo extrafísico presente e, assim, ajudar o paciente a acessar as áreas prioritárias a sua evolução. Aqui entra a cosmoética como a base pelo qual orienta toda esta terapia multidimensional.

A técnica é simples: o paciente entra em transe superficial ou profundo, induzido por relaxamento simples ou hipnose, e, sob a orientação do psicoterapeuta e sob o amparo extrafísico, o paciente projeta sua consciência aos campos de seu passado remoto, experienciando fatos, sentimentos, cenas, etc. O psicoterapeuta pode ou não usar música. Quando usa hipnose, pode dispensar a música. O processo precisa ser o mais leve e exige o mínimo possível de participação ativa do psicoterapeuta, para que o amparo especializado possa atuar de forma mais direta no inconsciente do paciente, ajudando-o a liberar as áreas psíquicas mais importantes para a sua evolução. Assim, consideramos que procedimentos de hipnose deve ser recurso de exceção. O relaxamento simples com música relaxante e calma (musicoterapia) é mais adequado. A preparação do ambiente e do psicoterapeuta é um fator essencial. O psicoterapeuta precisa mobilizar suas energias visando a higienização energética da sala de terapia e de seu próprio campo energético, promovendo a descontaminação vibratória pela ação da vontade (Vieira, Alegretti e Mendes). Os tipos de perguntas feitas e a orientação adequada durante as sessões regressivas devem estar em sintonia com a equipe extrafísica presente no local. O psicoterapeuta assim necessita de desenvolvimento pessoal no campo da paranormalidade para que possa usar de seus atributos parapsíquicos de forma a acertar e evitar erros durante a condução do processo. Exige-se com isso, que o psicoterapeuta também seja sensitivo e pesquisador do assunto, como requisitos básicos para o sucesso da terapia. Não somente a liberação dos conteúdos é necessária mas todo o ciclo psicoterapêutico que envolve o acesso de conteúdos inconscientes pelo nível consciente e posteriores análises e confrontos com a realidade atual, numa espécie de balanço da existência. Tais processo envolvem sessões de análise/síntese da experiência regressiva e confrontos com a experiência de vida atual (problemas, dificuldades, etc.). Após todo ciclo psicoterápico, o paciente significa a experiência e consegue perceber sua vida doutra maneira. Alegretti explica bem o assunto:

 

“Nos casos em que a hipnose é empregada adequadamente para a obtenção de regressões, o hipnoterapeuta atua como catalisador ou facilitador, enquanto que o controle primário de todo processo está nas mãos dos amparadores” (p. 137)

 

No entanto, na TVP é necessário cuidado, assepsia energética e mental do psicoterapeuta e do ambiente, acuidade na percepção das presenças extrafísicas no local clínico, de forma a dar o devido amparo ao paciente, sem colocá-lo exposto a um risco para sua vida psíquica. O pós-regressão é importantíssimo, visto que conteúdos traumáticos geram dor e a dor precisa ser cuidada após a experiência. Experiências de abuso sexual e traumas similares necessitam de total fraternismo por parte do psicoterapeuta. ATVP é uma psicoterapia evolutiva por excelência, lidamos diretamente com a espiritualidade e, portanto, precisamos conhecer o máximo possível o funcionamento da paranormalidade e da interação interdimensional (mediunismo) para que a TVP tenha sucesso pleno. Atualmente temos centenas de profissionais, senão milhares, mas podemos contar nos dedos quais são os que possuem formação técnica e pessoal para atuar em tal campo.

 

3. Quais os benefícios evolutivos?

- Alívio e remissão de enfermidades físicas

- Superação de traumas e fobias (sexualidade, relacionadas a morte, acidentes, etc.)

- Melhoria de relações interpessoais (porque nasci nesta família, tenho estes amigos, etc.)

- Autoconhecimento multiexistencial (personalidade holobiográfica)

- Reciclagem intraconsciencial (mudanças internas agudas)

- Reciclagem existencial (mudanças existenciais agudas)

- Terapêuticos profundos (na estrutura da consciência ou corpos superiores – mental, emocional)

- Saneamento do carma familiar e grupal

- Conexão com a maior parte do grupo evolutivo

- Auxílio para a recuperação do projeto de vida (missão, programação existencial)

- Entendimento da atual programação de vida (missão, projeto de vida)

- Expansão do universalismo (a pessoa lembra que atravessou variadas culturas, países e até mesmo outros planetas e civilizações do cosmo, intra e extrafísico, saindo de seu mundo egóico, rumando para a consciência cósmica)

- Amadurecimento parapsíquico

 

4. É indicado para que?

Como indicações, temos tudo que se relaciona com os benefícios acima citados. É sempre indicada como recurso psicoterapêutico complementar de uma psicoterapia parapsicológica mais ampla e integral, que inclui outras técnicas e experiências.

 

5. É contra-indicado para que?

- Desaconselhamos a TVP pura e independente, visto que, muitos problemas se encontram na atual vida do paciente, razão pela qual é necessário incluir a TVP dentro da Psicoterapia Parapsicológica.

- Casos de assédio extrafísico simples ou cronificado (exigem sessões anteriores até que o paciente esteja em condições psíquicas, energéticas e mentais para sessões de regressão).

- Casos em que o paciente busca a terapia somente por curiosidade, sem maiores objetivos (neste caso, realiza-se várias sessões de psicoterapia de orientação parapsicológica ou não realiza-se a psicoterapia)

- Falta de interesse em autoconhecimento profundo e mesmo condições para se submeter a tal terapêutica (neste caso o psicoterapeuta necessita fazer uma anamnese inicial visando conhecer o perfil do paciente. A percepção extrasensorial do psicoterapeuta atua como anamnese direta pela leitura energética e pela telepatia.

- Descompromisso com a psicoterapia (é desaconselhável submeter um paciente a regressão sem que haja pela parte dele, o compromisso de continuar pelo menos mais 2 ou 3 sessões para que a experiência seja devidamente trabalhada na psicoterapia).

- Pacientes com perfil psicótico e com distúrbios que impedem de processar realidades alteradas de consciência com discernimento e noção de realidade (nestes casos pode ampliar o problema do paciente, levando-o a quadros psíquicos mais graves)

 

6. Quem pode ser Psicoterapeuta de Vidas Passadas?

O CRP (Conselho de Psicologia) afirma em parecer dado a mim, que Psicólogos são legalmente proibidos de atuar com TVP, Parapsicologia e quaisquer outras técnicas desta natureza. Da mesma forma, o Conselho de Medicina proíbe terminantemente que Médicos atuem neste campo. Assim, temos que tal área é campo terapêutico de profissionais preparados de áreas parapsíquicas, tais como Parapsicólogos Clínicos, Médiuns e Terapeutas Holísticos. O órgão que reúne as normas do setor é o SINTE – Sindicato dos Terapeutas Holísticos, incluindo todos os profissionais acima citados. O profissional que trabalha com TVP precisa ter o CRT que é o registro profissional junto ao SINTE, que conta com área jurídica onde os pacientes ou terceiros podem efetuar denúncias ou solicitar esclarecimentos a respeito do psicoterapeuta.

 

 Fernando Salvino